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ANTONIO RAGO
02.07.1916 - 24.01.2008
Antonio Rago
O Mago do Violão
Não se pode negar que São Paulo sempre foi berço de excelentes violonistas. Apenas para citar alguns, como o lendário Américo Jacomino, o multi-instrumentista Aníbal Augusto Sardinha, o Garoto, Armandinho Neves, Paulinho Nogueira, Aymoré, Laurindo de Almeida, Atílio Bernardini e o talentosíssimo Antônio Rago, nascido em 02 de Julho de 1916.
Na infância, Rago se apaixonou por um instrumento muito em voga na época, o violão. Começou a tirar as primeiras notas orientado por um sapateiro em seu bairro e logo depois passou a ter aulas com o Professor Edgar de Melo, que percebeu seu talento ensinando-o de graça. Sua carreira profissional começou para valer em 1936 quando tinha 20 anos. Integrou o conjunto regional de Armandinho Neves, na Rádio Record, cujo regional da terra da garoa, tinha em sua formação como o "terceiro" violão, nada mais nada menos que "Zezinho do Banjo" como era conhecido, mais tarde, internacionalmente Zé Carioca.
Rago aos poucos foi se tornando o acompanhador preferido dos grandes cantores da época, e em 1936 ele foi à Argentina fazer uma temporada acompanhando o cantor Arnaldo Pescuma, o início de uma grande carreira. Lá ficou por mais de um ano atuando na Rádio Belgrano de Buenos Aires acompanhando grandes nomes da música argentina como Mercedes Simone e Libertad Lamarque, nesta época, ganhou o apelido carinhoso de Mago do Violão.
E foi em 1940 que Rago fez história. Convidado a coordenar o Regional da Rádio Tupi em São Paulo ( considerado um dos melhores conjuntos da cidade - “Rago e seu Regional”) acompanhou talentos como: Silvio Caldas, Orlando Silveira e Carlos Galhardo. Apresentava choros e valsas, sambas e boleros entre outros, além de tudo, seu diferencial naquela época era seu violão elétrico, cuja competência cabe a ele, pela inovação e iniciação deste instrumento no Brasil.
Para se ter uma idéia da qualidade deste regional, em 1950 “Rago e seu Regional” conquistou o cobiçado troféu “Roquete Pinto” que era dado aos melhores do rádio, na ocasião como o melhor Conjunto Regional do Rádio. Foi este mesmo regional que acompanhou o cantor Francisco Alves na sua última apresentação em São Paulo, em seguida o regional se desfez. Rago partiu para a carreira solo e lançou vários discos interpretando obras de outros violonistas como Américo Jacomino, Armandinho Neves e também suas composições.
Grande atuante no cenário musical, Rago tem em seu currículo 434 músicas gravadas, apresentou vários programas de rádio (Rádio Atlântica de Santos e Rádio Cacique também em Santos – SP) e escreveu um livro: “A longa caminhada de um violão”, onde descreve sobre suas viagens, sucessos, cantores e curiosidades.
Nos últimos anos permaneceu tocando seu violão com talento e maestria apesar da idade. Era comum assistí-lo na loja de instrumentos Del Vechio ou mesmo em algum restaurante ou casa noturna do Bixiga, bairro em que nasceu e que tanto amava.
Violonista e compositor inspiradíssimo, compôs sucesso como o bolero Jamais te Esquecerei em parceria com Juracy Rago, o Choro Mentiroso, Barão na Dança e Festa portuguesa.
Em novembro de 2007, aos 91 anos, Rago foi internado nos hospital Iguatemi. Seu quadro de infecção pulmonar se agravou e no dia 24 de Janeiro de 2008 perdemos um dos maiores representantes do violão e da era de ouro da música popular brasileira.
Alex Mendes.
Fotos:
Gentilmente cedidas pela família