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João Dias Carrasqueira
(1.908 – 2.000)
João Dias Carrasqueira, um mestre único na grande galeria de vultos importantes da música brasileira, nascido em Paranapiacaba no seio de uma família de artistas, iniciou-se na flauta através de seu irmão João Maria Dias.
Mudando-se para a Lapa, na capital, passa a integrar os grupos de serestas e choro e recebe o apelido carinhoso de Canarinho da Lapa. Acompanha Zequinha de Abreu quando este vai à Lapa, com o intuito de vender suas partituras aos pianistas do bairro.
Tocou com os mais importantes músicos da capital como Garoto, Gaó e Aymoré. Foi solista do Regional de Armandinho Neves, tocou também com o grande Pixinguinha quando este vinha à São Paulo.
Juntamente com o trabalho em rádios, o mestre divulgava o repertório erudito para flauta num trabalho pioneiro, tanto com orquestras amadoras como profissionais.
Em 1.954, ganha o primeiro lugar no Concurso Internacional para flauta solista da Orquestra Sinfônica do IV Centenário da Cidade de São Paulo.
Tem uma intensa atividade como recitalista, divulgando peças inéditas de compositores brasileiros para flauta.
Em 1.966, recebe o prêmio de melhor recitalista do ano pela APCA pela interpretação da Integral das Sonatas de J.S.Bach para flauta, além de suas obras para flauta e orquestra.
O árduo trabalho de interprete não impede o de magnífico professor, que faz acender nos jovens do interior do estado e nos cursos internacionais da Pró-Arte, em Teresópolis RJ, a chama de amor e interesse pelo estudo da flauta.
Comissionado pelo Depto. de Cultura do Estado de São Paulo, leciona na idealizada “Escola Brasileira de Arte da Flauta” para professores e diretores de escolas de música, recebendo o troféu de Professor do Ano, ofertado pela Ordem de Músicos do Brasil.
Funda o Clube dos Flautistas de São Paulo, que já realizou recitais com até 40 alunos. Uma autêntica orquestra de flautas.
Muitos de seus alunos realizam trabalhos pelo mundo afora como músicos de orquestras, cameristas, solistas, numa verdadeira “Flautosofia”- Carrasqueira costumava designar sua pedagogia voltada para o melhor do ser humano, tendo a música e a flauta como viga mestra. Esse lema continua ainda hoje, com vários discípulos levando adiante essa chama de respeito pelo repertório flautístico, seja dos nossos irmãos compositores ou dos grandes mestres da música ocidental.
Em comemoração aos 100 anos de nascimento do Mestre, considerado uma bússola para os músicos, nós do Conjunto Retratos, estaremos realizando recitais com suas obras, importantes demais para ficarem guardadas, arranjadas pelo Maestro Cláudio Medraño.
Paulo Gilberto
Conjunto Retrato
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Eduardo Souto
( 1842 - 1882 )
Compositor e regente, nasceu em Santos (ou São Vicente), SP, no dia 14/4/1842 e morreu no Rio de Janeiro no dia 18/8/1882.
Aprendeu tocar piano criança e aos onze anos onde estudou com o professor Carlos Darbilly. Com 14 anos compôs a sua primeira valsa chamada Amorosa.
Em 1902 abandona a Escola Politécnica e emprega-se no Banco Francês onde fica até 1917 e em 1919 que começa a ficar famoso pelo seu fado-tango, o famosíssimo e até os dias de hoje tocado nas rodas de choro “O despertar da montanha”.
Bom orquestrador, regeu música sinfônica no Rio e em São Paulo. Organizou conjuntos, orquestras e foi o fundador do Coral Brasileiro do qual fizeram parte Bicu Sayão, Zaíra de Oliveira e Nascimento Filho.Para o carnaval de 1920 compõe a marchinha Pois não, gênero pioneiro, junto com O pé de anjo de Sinhô. Seu maior sucesso foi sem dúvida o Tatu subiu no pau e neste mesmo ano foi designado pelo governo a organizar o programa musical de recepção aos reis da Bélgica, em visita ao Brasil.
Foi proprietário da loja de música Casa Carlos Gomes, onde divulgava através do piano as suas composições.Foi diretor artístico da Odeon e sua subsidiária, a Parlophon. Compôs o Hino a João Pessoa (com Osvaldo Santiago), Gloriosa, hino do Botafogo Futebol Clube e ainda o Hino à Legião Mineira.A partir de 1932, seu nome ficou sendo esquecido e voltou a trabalhar como contador no Banco do Comércio. Passou a sofrer uma doença nervosa e faleceu em 1942 na última de suas consecutivas internações.
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